attachment theory

Estilos de Apego nas Relações Amorosas: O Guia Completo

Seguro, ansioso, evitativo, desorganizado — a teoria do apego mapeia os padrões que se repetem em cada relacionamento. Saiba o que cinco décadas de investigação dizem sobre cada estilo e como trabalhar com o seu.

Amora Team · · 14 min de leitura

A teoria do apego — desenvolvida por John Bowlby para explicar como os bebés criam vínculos com os seus cuidadores — aplica-se diretamente às relações amorosas adultas. A investigação identifica quatro estilos: seguro, ansioso (preocupado), evitativo (dismissivo) e desorganizado (receoso-evitativo). Entre 55 e 60% dos adultos têm apego seguro; os restantes 40 a 45% distribuem-se pelos estilos inseguros. O seu estilo de apego determina como procura proximidade, como responde ao conflito e o que acontece internamente quando o seu parceiro fica sem responder durante um dia.

Este guia explica de onde vem a teoria, como se manifestam os quatro estilos na prática, o que a investigação diz sobre os resultados relacionais e — o mais importante — como trabalhar com o estilo que tem.

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De onde vem a teoria do apego?

John Bowlby, psiquiatra britânico, publicou Attachment and Loss (1969) depois de observar que crianças separadas dos cuidadores mostravam padrões de sofrimento previsíveis — e que esse sofrimento era biológico, não aprendido. O sistema de vinculação evoluiu para manter as crias vulneráveis perto de adultos protetores. Quando ativado pela ameaça, separação ou incerteza, a criança procura a figura de vinculação. Se esta responde de forma consistente e afectuosa, a criança internaliza um “modelo interno de trabalho” que diz: o mundo é seguro e as pessoas são confiáveis. Se não responde assim, a criança adapta-se: amplificando o sofrimento para obter atenção (adaptação ansiosa) ou suprimindo-o porque a expressão não resultou (adaptação evitativa).

Mary Ainsworth operacionalizou a teoria de Bowlby nas experiências da “Situação Estranha” (1978), identificando padrões de apego seguro, ansioso-ambivalente e evitativo nos bebés. A transição para os adultos surgiu em 1987, quando Cindy Hazan e Phillip Shaver publicaram um estudo pioneiro que demonstrou que os mesmos três estilos descreviam o apego romântico nos adultos — e que a história de vinculação na infância prediz o estilo adulto. Main e Solomon (1986) adicionaram o estilo desorganizado para os bebés; Bartholomew e Horowitz (1991) adaptaram-no para os adultos.

Cápsula de citação: A teoria do apego sustenta que o sistema biológico que mantém os bebés próximos dos cuidadores permanece ativo no amor romântico adulto. Bowlby (1969) estabeleceu a base evolutiva; Hazan e Shaver (1987) demonstraram a sua aplicação direta às relações românticas. O parceiro amoroso funciona como figura de vinculação — porto seguro e base de exploração — tal como o cuidador primário.

Quais são os quatro estilos de apego adulto?

Seguro

Os adultos com apego seguro estão confortáveis tanto com a intimidade como com a autonomia. Conseguem depender dos parceiros sem se sentir controlados, e ser alvo de dependência sem se sentir sufocados. Perante o conflito, aproximam-se em vez de escalar ou recuar, e após desentendimentos recuperam com relativa rapidez sem necessitar de reasseguramento prolongado.

Na amostra original de Hazan e Shaver (1987), 59% dos adultos descreveram os seus relacionamentos com características do estilo seguro: calorosos, amigáveis e de confiança.

Ansioso (preocupado)

Os adultos ansiosos anseiam por elevada proximidade e estão preocupados com o medo de a perder. Hiperativam o sistema de vinculação — amplificam os sinais emocionais, procuram reasseguramento repetidamente, leem as pistas ambíguas do parceiro como ameaça. A experiência interna é um zumbido de baixa intensidade quase constante: será que estamos bem?

Levine e Heller (2010) descrevem um padrão específico chamado comportamento de protesto: quando o parceiro fica menos disponível, a pessoa ansiosa escalona — envia várias mensagens seguidas, parece possessiva, cria por vezes um conflito para reestabelecer o contacto emocional. São comportamentos de procura de vinculação, não manipulação — mas funcionam dessa forma para um parceiro evitativo.

Evitativo (dismissivo)

Os adultos evitativos aprenderam que expressar necessidades emocionais rende pouco. Adaptam-se desativando o sistema de vinculação: minimizando as necessidades emocionais, valorizando muito a autossuficiência, mantendo alguma distância emocional mesmo com parceiros de quem genuinamente gostam.

Isto não é frieza emocional. A investigação de Mikulincer e Shaver mostra consistentemente que os adultos evitativos têm uma ativação fisiológica comparável à dos ansiosos em situações de vinculação — o que difere é a supressão da expressão externa. Sob stress relacional suficientemente elevado, essa supressão pode ceder.

Desorganizado (receoso-evitativo)

Os adultos desorganizados querem proximidade e temem-na em proporções semelhantes. Este estilo emerge tipicamente de ambientes iniciais em que a figura de vinculação era simultaneamente fonte de conforto e de ameaça — um cuidador assustador, imprevisível ou inconsistente. A criança não podia formar uma estratégia coerente: aproximar-se era arriscado, afastar-se era insuportável.

Nas relações adultas, isto produz um padrão de aproximação-afastamento alternado sem estratégia estável. O adulto desorganizado pode perseguir intensamente a proximidade e retrair-se subitamente quando a intimidade aumenta. O Estudo Longitudinal de Minnesota de Sroufe et al. (2005), que seguiu indivíduos da infância à idade adulta durante três décadas, mostrou que o apego desorganizado precoce predizia significativamente maior instabilidade relacional na vida adulta.

Cápsula de citação: Quatro estilos de apego são identificados consistentemente nos adultos: seguro, ansioso/preocupado (estratégias de hiperativação, medo do abandono), evitativo/dismissivo (estratégias de desativação, desconforto com a dependência) e desorganizado/receoso-evitativo (desejo e medo simultâneos de proximidade). A ECR-R (Fraley et al. 2011) é a medida validada mais utilizada, avaliando duas dimensões contínuas: ansiedade de apego e evitamento.

Com que frequência ocorre cada estilo nos adultos?

A investigação em populações ocidentais encontra consistentemente:

EstiloPrevalência aproximada
Seguro55–60%
Ansioso / preocupado15–20%
Evitativo / dismissivo20–25%
Desorganizado / receoso-evitativo5–10%

Estes valores provêm da meta-análise de Fraley (2002), que agregou dados de dezenas de estudos. As proporções variam um pouco em populações clínicas (que tendem a ter mais estilos inseguros) e entre culturas — culturas coletivistas tendem a mostrar proporções ligeiramente maiores de evitamento. A maioria segura mantém-se globalmente.

Uma nuance importante: o estilo de apego não é uma categoria discreta, mas duas dimensões contínuas. A ECR-R mede a ansiedade de apego (medo do abandono, necessidade de reasseguramento) e o evitamento de apego (desconforto com a proximidade, investimento na autossuficiência). Seguro = baixo em ambas. Ansioso = alta ansiedade, baixo evitamento. Evitativo = baixa ansiedade, alto evitamento. Desorganizado = elevado em ambas.

Cápsula de citação: A meta-análise de Fraley (2002) mostrou que cerca de 55–60% dos adultos têm apego seguro, e aproximadamente 40–45% têm um estilo inseguro. O apego é melhor compreendido como duas dimensões contínuas — ansiedade e evitamento — do que como quatro categorias discretas (Fraley et al. 2011, ECR-R).

Como o apego seguro molda uma relação?

Os adultos com apego seguro trazem para a relação três qualidades difíceis de simular: disponibilidade consistente, comportamento construtivo face ao conflito e uma base segura funcional.

Disponibilidade consistente significa que o parceiro seguro aparece — emocionalmente, praticamente, previsivelmente — sem precisar de uma crise para o motivar. Isto cria um pano de fundo de segurança que transforma a relação num recurso restaurador, não numa fonte de esgotamento.

Comportamento construtivo face ao conflito significa que o parceiro seguro consegue tolerar o desentendimento sem o tratar como uma ameaça existencial à relação. Exprime as suas necessidades sem escalar, recebe a crítica do parceiro sem deflectir completamente, e avança para a reparação com relativa rapidez após uma conversa difícil.

Base segura é o conceito de Bowlby: a figura de vinculação não é apenas um porto a que se regressa, mas uma plataforma a partir da qual se explora. Parceiros seguros permitem-se mutuamente arriscar — no trabalho, na criatividade, no crescimento pessoal — porque a relação não é uma fonte constante de gestão de ameaças.

A revisão de Mikulincer e Shaver (2007) sobre centenas de estudos ao longo de 25 anos mostrou que adultos seguros relatam consistentemente maior satisfação relacional, taxas mais baixas de infidelidade, melhor funcionamento sexual e menor taxa de separação do que adultos inseguros.

Cápsula de citação: O apego seguro prediz maior satisfação relacional, menor frequência de conflito e melhor comunicação ao longo de décadas de investigação (Mikulincer e Shaver, 2007). Adultos seguros funcionam como bases seguras eficazes para os seus parceiros — disponíveis, não reativos ao conflito, capazes de reparação — porque o sistema de vinculação não está cronicamente preocupado com a ameaça.

Como se manifesta o apego ansioso numa relação?

O medo central é o abandono. Nem sempre conscientemente, mas o sistema interno do adulto ansioso tem um processo em segundo plano sempre activo: a relação ainda está segura? Sinais pequenos — uma resposta demorada, um tom neutro numa mensagem, ligeiramente menos contacto ocular — são lidos como potenciais pistas de abandono e desencadeiam uma resposta.

Essa resposta é o que Levine e Heller (2010) chamam comportamento de protesto: ações destinadas a restabelecer a ligação. Enviar várias mensagens consecutivas. Iniciar uma discussão para gerar envolvimento emocional. Aparentar distância como teste. Estes comportamentos visam a vinculação, não são manipulação deliberada — mas funcionam dessa forma para parceiros que não compreendem o mecanismo.

Os adultos ansiosos têm frequentemente inteligência emocional e social elevada. O mesmo sistema de escaneamento que deteta pistas de abandono lê as pessoas com precisão invulgar noutros contextos — o que é um genuíno activo.

A literatura clínica (Pietromonaco e Beck, 2019) identifica três padrões recorrentes: estratégias de hiperativação (amplificação do sofrimento para atrair o parceiro), co-ruminação (reviver os problemas da relação com o parceiro ou com pessoas de confiança, o que frequentemente aumenta o sofrimento em vez de o diminuir) e viés de atribuição negativa (interpretar consistentemente as pistas ambíguas do parceiro como negativas ou ameaçadoras). Os três tendem a aumentar o sofrimento relacional ao longo do tempo sem intervenção externa.

Cápsula de citação: O apego ansioso envolve estratégias de hiperativação — amplificar sinais emocionais para atrair atenção e reasseguramento do parceiro — e um medo crónico de abandono que molda a perceção de pistas ambíguas (Levine e Heller 2010; Pietromonaco e Beck 2019). Não são falhas de carácter; são adaptações aprendidas. Compreender o mecanismo é o primeiro passo para o mudar.

Como se manifesta o apego evitativo numa relação?

A adaptação central é a autossuficiência como proteção. O adulto evitativo aprendeu, geralmente cedo, que expressar necessidades emocionais produzia pouca recompensa e às vezes piorava as coisas. A adaptação foi lógica: minimizar essas necessidades, tornar-se de confiança para si próprio, manter distância emocional suficiente para que a vulnerabilidade permaneça gerível.

Nas relações, manifesta-se como: desconforto com parceiros com elevadas necessidades emocionais, dificuldade em expressar vulnerabilidade mesmo quando genuinamente a sentindo, tendência para se retirar ou “interiorizar” sob stress em vez de se aproximar do parceiro, e preferência por alguma autonomia emocional mesmo em relações comprometidas de longa data.

Os adultos evitativos aparecem frequentemente como confiantes, autossuficientes e pouco exigentes — e atraem frequentemente parceiros ansiosos que leem esta contenção como força. A dinâmica resultante (parceiro ansioso persegue; parceiro evitativo afasta-se; a perseguição amplifica o afastamento) é a armadilha ansioso-evitativa, tratada em detalhe em A Armadilha Ansioso-Evitativa.

Um resultado de investigação que surpreende: os adultos evitativos não têm emoções planas. Os estudos de Mikulincer e Shaver mostram que têm ativação fisiológica comparável à dos ansiosos em situações de vinculação — frequência cardíaca elevada, respostas de condutância cutânea. O que difere é a presença de mecanismos de supressão fortes. Sob stress sustentado suficientemente elevado, esses mecanismos podem ceder — por vezes de forma abrupta.

Cápsula de citação: O apego evitativo envolve estratégias de desativação — distanciamento emocional, supressão das necessidades de vinculação, investimento na autossuficiência — e não frieza emocional genuína. Mikulincer e Shaver (2007) demonstram que os adultos evitativos mostram ativação fisiológica comparável em situações de vinculação; o que difere é a supressão da expressão externa.

O que é o apego desorganizado nos adultos?

O apego desorganizado é o menos comum e o mais difícil de compreender de fora. Ao contrário dos outros três estilos — que representam cada um uma estratégia coerente para gerir as necessidades de vinculação — os adultos desorganizados não têm uma estratégia estável. Aproximam-se e afastam-se, procuram e empurram para longe, querem intimidade e sabotam-na, muitas vezes sem perceber bem porquê.

A origem desenvolvimental, acompanhada ao longo de três décadas no Estudo Longitudinal de Minnesota de Sroufe et al. (2005), é tipicamente um ambiente precoce em que a figura de vinculação era simultaneamente fonte de conforto e de medo. Quando a pessoa de quem se depende para segurança é também assustadora ou imprevisível, nenhuma estratégia comportamental é segura: aproximar é arriscado, evitar é insuportável. Main e Solomon (1986) chamaram a isto “susto sem solução”.

Nas relações adultas, isto manifesta-se frequentemente como:

  • Perseguição romántica intensa seguida de retirada emocional súbita à medida que a intimidade real se aproxima
  • Medo de “ser demasiado” para um parceiro e medo de ser abandonado em proporções quase iguais
  • Profunda dificuldade em confiar, mesmo com parceiros que são demonstravelmente consistentes e seguros
  • Padrões relacionais que parecem recriar a imprevisibilidade dos ambientes precoces

O apego desorganizado está sobrerrepresentado em populações clínicas e está fortemente associado a histórias de trauma complexo ou desenvolvimental.

Cápsula de citação: O apego desorganizado nos adultos — elevado nas dimensões de ansiedade e evitamento — origina-se tipicamente em ambientes precoces em que os cuidadores eram também fontes de ameaça (Sroufe et al. 2005; Main e Solomon 1986). Produz comportamento de aproximação-afastamento alternado sem uma estratégia coerente. Dos quatro estilos, é o que responde melhor à terapia informada pelo trauma e à experiência relacional consistente e sustentada.

O estilo de apego muda ao longo do tempo?

Sim — mas o mecanismo importa tanto quanto a possibilidade.

A meta-análise de Fraley (2002) encontrou correlações teste-reteste moderadas ao longo de quatro anos (aproximadamente r = 0,40 entre estudos). Isso significa que o estilo de apego é moderadamente estável — não é variável de forma errática — mas está longe de ser fixo. O conceito de segurança conquistada (descrito em Sroufe et al. 2005) refere adultos que tiveram apego inseguro na infância mas desenvolveram funcionamento seguro na vida adulta através de experiências relacionais positivas consistentes ou trabalho terapêutico.

Três condições estão documentadas como facilitadoras da mudança em direção à segurança:

1. Relação de longa duração com um parceiro seguro. Um parceiro consistentemente seguro modela e reforça o comportamento responsivo ao longo dos anos, atualizando gradualmente os modelos internos de trabalho.

2. Psicoterapia — em particular abordagens de orientação do apego como a terapia focada nas emoções (EFT), a psicoterapia dinâmica experiencial acelerada (AEDP) ou a TCC baseada no apego. Estas abordam as crenças subjacentes e as estratégias de hiperativação ou desativação.

3. Acontecimentos de vida significativos — tanto positivos (mentoria consistente, tornar-se pai ou mãe responsivo) como negativos podem reconfigurar a organização do apego.

A revisão de Pietromonaco e Beck (2019) sublinha que a mudança acontece tipicamente ao nível dos modelos de trabalho específicos à relação antes de se generalizar: torna-se mais seguro numa relação específica antes de essa segurança se estender. O objetivo não é uma transformação categórica da noite para o dia, mas um alargamento progressivo da janela de tolerância à proximidade.

Cápsula de citação: O estilo de apego mostra estabilidade moderada ao longo dos anos (Fraley 2002), mas não é fixo. A segurança conquistada — funcionamento seguro apesar de história desenvolvimental insegura — está documentada na investigação longitudinal e associada a experiência relacional positiva consistente e/ou terapia (Sroufe et al. 2005; Pietromonaco e Beck 2019). O estilo de apego é um padrão organizador, não um traço de personalidade imutável.

O que diz a investigação sobre apego e satisfação relacional?

O panorama da investigação é consistente. A obra Attachment in Adulthood de Mikulincer e Shaver (2007) sintetiza centenas de estudos ao longo de 25 anos:

Pares seguro × seguro relatam a satisfação mais elevada e o menor conflito de qualquer tipo de emparelhamento. Ambos os parceiros estão disponíveis sem ser exigentes, conseguem reparar após o conflito e funcionam como bases seguras um para o outro.

Adultos ansiosos relatam satisfação inferior em média. As estratégias de hiperativação aumentam a frequência do conflito, e o medo do abandono tende a ser autorreforzante — os comportamentos que produz criam frequentemente a distância que o adulto ansioso teme.

Adultos evitativos relatam satisfação moderada nas medidas de autorrelato, mas os parceiros de adultos evitativos relatam satisfação significativamente mais baixa. A indisponibilidade emocional é sentida pelo parceiro mesmo quando o adulto evitativo experiencia a relação como adequada.

Pares ansioso × evitativo mostram os piores resultados de forma consistente. A dinâmica é estruturalmente polarizante: os comportamentos de procura de proximidade do parceiro ansioso ativam o reflexo de afastamento do evitativo, o que amplifica o medo do ansioso, o que produz mais comportamentos de protesto, o que desencadeia mais afastamento. O sistema não tem equilíbrio natural se nenhum dos parceiros compreender explicitamente o que está a acontecer. Veja A Armadilha Ansioso-Evitativa para a mecânica completa.

Cápsula de citação: O apego seguro é o preditor mais consistente de satisfação relacional na literatura do apego (Mikulincer e Shaver 2007). Os pares ansioso-evitativos mostram os piores resultados, impulsionados por uma dinâmica autorreforçante em que comportamentos de protesto e de afastamento se amplificam mutuamente. O estilo de apego do parceiro, não apenas o seu, molda o padrão relacional.

Como usar o seu estilo de apego na prática

Quatro implicações práticas da investigação para trabalhar com o estilo que tem:

1. Nomeie sem usar como arma. Compreender o seu estilo de apego é útil para a auto-observação. Rotular o parceiro (“és simplesmente evitativo”) cria resistência e encerra a conversa. O enquadramento mais produtivo é na primeira pessoa: “Noto que tendo a procurar reasseguramento quando estou inseguro sobre nós — posso falar sobre o que desencadeia isso em mim?”

2. Mapeie os seus gatilhos específicos. Cada estilo inseguro tem padrões de ativação característicos. Ansioso: silêncio, respostas demoradas, tom emocional neutro. Evitativo: perceção de exigências de proximidade, crítica da independência. Desorganizado: ambos em simultâneo. Mapear os gatilhos transforma o comportamento reativo numa sequência previsível que se pode interromper.

3. Use ativamente o conceito de base segura. O insight mais profundo de Bowlby é que o apego seguro permite a exploração. Quando as pessoas se sentem seguras numa relação, arriscam mais fora dela — no trabalho, na criatividade, no desenvolvimento pessoal. O trabalho experimental de Mikulincer e Shaver mostra que mesmo ativar pensamentos de uma figura de suporte melhora a resolução de problemas. Construa a segurança e a exploração seguirá.

4. Adapte a estratégia de crescimento ao seu estilo. Para adultos ansiosos: pratique tolerar a ambiguidade. Quando ativado, adie a resposta de procura de reasseguramento por 20 minutos — observe o sentimento, decida a partir daí em vez de no pico da ativação. Para adultos evitativos: pratique virar-se para em vez de se retirar quando sob stress — partilhe algo pequeno, observe que o mundo não acaba. Para adultos desorganizados: os padrões têm geralmente raízes desenvolvimentais que respondem melhor ao trabalho terapêutico estruturado do que às competências relacionais sozinhas.

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Referências

  1. Bowlby, J. (1969). Attachment and Loss, Vol. 1: Attachment. Basic Books.
  2. Hazan, C., & Shaver, P. R. (1987). Romantic love conceptualized as an attachment process. Journal of Personality and Social Psychology, 52(3), 511–524.
  3. Ainsworth, M. D. S., Blehar, M. C., Waters, E., & Wall, S. (1978). Patterns of Attachment. Lawrence Erlbaum.
  4. Main, M., & Solomon, J. (1986). Discovery of an insecure-disorganized/disoriented attachment pattern. In T. B. Brazelton & M. W. Yogman (Eds.), Affective Development in Infancy, pp. 95–124.
  5. Bartholomew, K., & Horowitz, L. M. (1991). Attachment styles among young adults. Journal of Personality and Social Psychology, 61(2), 226–244.
  6. Fraley, R. C. (2002). Attachment stability from infancy to adulthood: Meta-analysis and dynamic modelling. Personality and Social Psychology Review, 6(2), 123–151.
  7. Fraley, R. C., Waller, N. G., & Brennan, K. A. (2011). An item response theory analysis of self-report measures of adult attachment. Journal of Personality and Social Psychology, 78(2), 350–365.
  8. Levine, A., & Heller, R. (2010). Attached: The New Science of Adult Attachment. Tarcher/Penguin.
  9. Mikulincer, M., & Shaver, P. R. (2007). Attachment in Adulthood: Structure, Dynamics, and Change. Guilford Press.
  10. Sroufe, L. A., Egeland, B., Carlson, E. A., & Collins, W. A. (2005). The Development of the Person: The Minnesota Study of Risk and Adaptation from Birth to Adulthood. Guilford Press.
  11. Pietromonaco, P. R., & Beck, L. A. (2019). Adult attachment and physical health. Current Directions in Psychological Science, 28(6), 616–623.

Perguntas frequentes

Quais são os quatro estilos de apego nos adultos?

Seguro, ansioso (preocupado), evitativo (dismissivo) e desorganizado (receoso-evitativo). Cerca de 55 a 60% dos adultos têm apego seguro; os restantes 40 a 45% distribuem-se pelos três estilos inseguros. Os estilos foram mapeados em adultos pela primeira vez por Hazan e Shaver (1987), que transpuseram o modelo de Bowlby das relações bebé-cuidador para as relações românticas.

O estilo de apego pode mudar?

Sim, embora lentamente. A meta-análise de Fraley (2002) encontrou estabilidade moderada ao longo de quatro anos, mas a mudança significativa é possível — especialmente através de terapia consistente, de uma relação longa com um parceiro seguro, ou de prática deliberada de autorregulação emocional. A "segurança conquistada" é um fenómeno documentado na investigação longitudinal.

Qual é o estilo de apego com melhores resultados relacionais?

O seguro. A revisão de Mikulincer e Shaver (2007), que sintetiza centenas de estudos, mostra que adultos com apego seguro relatam maior satisfação relacional, menos conflito, melhor comunicação e taxas de separação mais baixas do que adultos com estilos inseguros.

Como descobrir o meu estilo de apego?

Através de uma medida validada como a ECR-R (Experiences in Close Relationships — Revised, Fraley et al. 2011). O questionário de apego gratuito da Amora baseia-se neste instrumento, demora cerca de 4 minutos e fornece pontuações nas duas dimensões — ansiedade de apego e evitamento.

A teoria do apego só se aplica às relações com os pais?

Não. Bowlby (1969) desenvolveu-a a partir da observação de bebés com cuidadores, mas Hazan e Shaver (1987) demonstraram que o mesmo sistema biológico está ativo no amor romântico adulto. Os parceiros amorosos tornam-se figuras de vinculação — porto seguro e base de exploração — exatamente como os cuidadores foram na infância.

O que é o apego desorganizado nos adultos?

O adulto desorganizado (ou receoso-evitativo) quer proximidade e teme-a em simultâneo. Costuma emergir de infâncias em que o cuidador era simultaneamente fonte de conforto e de ameaça. Nas relações, manifesta-se como alternância entre aproximação e afastamento, dificuldade em confiar e uma dinâmica de atração-repulsão que os parceiros tendem a achar desconcertante.

Uma pessoa ansiosa e uma evitativa conseguem ter uma relação saudável?

Com trabalho deliberado de ambas as partes, sim. Os dois precisam de compreender a sua dinâmica — os comportamentos de protesto do parceiro ansioso ativam o afastamento do parceiro evitativo, o que amplifica o medo do parceiro ansioso. A terapia focada nas emoções (EFT) mostra bons resultados para estes pares quando ambos estão disponíveis para o processo.